09 nov

Desconecte para conectar

Vivemos na era do conhecimento. Consumimos informação todos os dias, a todo momento.

Você liga a televisão e tem notícia, nos sites e blogs há uma matéria nova a cada fração de segundo, nas redes sociais você encontra os especialistas e os “entendidos”, palestras e workshops pipocam em todo lugar… Ah! E ainda existem os livros que resistem bravamente a era digital.

Passamos por uma fase onde quem sabe mais, sai na frente. E com isso vem a preocupação constante em não perder nada, em estar sempre online e conectado. O Dr. Google está aí nas nossas vidas, mais presente do que nunca, quer você goste ou não. Ele abriu as portas para tantos universos diferentes que antes eram acessíveis apenas aos diplomados. E isso foi revolucionário!

Quer saber para que serve aquele remédio? Dá um google! Como trocar resistência do chuveiro? Tem lá também! Se for pra descobrir uma nova dieta infalível? Você vai se surpreender com a infinidade de opções.

Assim como em outras áreas, o universo da nutrição está cada vez mais disponível e familiar: proteína de alto valor biológico, transgênico, low carb, hipocalórico, zero glúten, sem lactose e mais uma infinidade de termos nutricionais compõem o palavreado e as refeições das pessoas.

Antes no almoço tínhamos arroz, feijão, carne e salada. Hoje: carboidrato de baixo índice glicêmico, proteína vegetal e animal e vegetais. Acho isso muito engraçado. Paramos de comer comida e comemos nutrientes.

Não há absolutamente nada de errado em ter acesso a todas estas informações. Muitos especialistas e cientistas fizeram um trabalho duro para que chegássemos até aqui e evoluíssemos como sociedade. Porém, se por um lado toda essa facilidade de acesso ao conhecimento nos traz desenvolvimento intelectual; por outro, a pressa e a urgência de informações cobra um preço caro: a falta de presença e de conexão (mais uma das ironias da vida). E o que isso tem a ver com alimentação? TUDO.

Comemos de três em três horas porque lemos em algum lugar que é bom… mas nos esquecemos de quais são os nossos sinais físicos de fome. Preparamos nossa marmita impecavelmente nutritiva e almoçamos sozinhos, rolando o dedinho no feed nas redes sociais, sem saber que gosto tinha o que acabamos de ingerir. Bebemos whey protein no lanche da tarde porque é um ótimo lanche para o treino, quando queríamos mesmo era comer um bolinho gostoso e tomar um café quentinho. E nesta necessidade de ter um comportamento saudável, baseado em todo o conhecimento que consumimos vamos deixando de lado, dia após dia, nossos desejos e vontades, e os nossos sinais mais primitivos (de fome e saciedade). Seguimos a informação esquecendo da intuição.

Então hoje faço um convite a você: que tal na sua próxima refeição racionalizar menos e se permitir apenas sentir? Experimente só por um dia ouvir o que o seu corpo diz. Só por um dia!

Experimente não comer porque já se passaram 3 horas desde a última refeição, e sim quando e porque o seu corpo diz que já está na hora de você comer.

Aliás, como o seu corpo comunica que você está com fome? O que você sente, já parou pra perceber? Experimente não comer o que você acha que é saudável e apenas sinta o que o seu corpo pede para comer. Quais são os seus desejos?

Experimente programar um dia durante a semana para comer acompanhado(a) de uma pessoa com uma conversa gostosa e sinta o sabor incrível que a comida ganha. Já em outro dia permita-se comer completamente sozinho(a): sem celular, sem televisão, sem música. No silêncio completo. Ouvindo apenas o barulho da sua mastigação. Sinta.

Não se preocupe, o conhecimento que você adquiriu vai continuar aí dentro, com você. Seguir o seu corpo não faz com que a informação evapore de uma hora para outra. Você vai continuar sabendo que comer vegetais é saudável e que beber refrigerante não é legal. Mas dê um espaço para o seu corpo poder se expressar. Ele anda sufocado! Silencie o mundo. Coloque por alguns instantes tudo no MUTE. Agora aumente o volume da sua intuição. Ouça o que ela tem a te dizer. Na era da conexão da internet, estar conectada consigo mesma e com as pessoas ao seu redor é uma grande revolução. Na era da informação, guiar suas escolhas também dando voz aos sinais do seu corpo é poderoso!

Sinta. Experimente!

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