09 nov

Quando olho no espelho

Por alguns anos eu ouvi calada a frase “Estou aqui porque eu sei que eu DEVO emagrecer”, acatando o desejo dos meus clientes e ajudando-os a conquistar o que eles buscavam. Eles nem desconfiavam que dentro de mim mil perguntas e contestações borbulhavam. Mas no começo, talvez por medo de ser julgada e falta de segurança profissional, guardei minhas inquietações num cantinho escondido dentro de mim. Até perceber que exatamente estas inquietações é que iriam lapidar a minha identidade profissional e o jeito único de expressar quem eu sou através do meu trabalho.

 Meu nome é Júlia, tenho 30 anos e achei minha forma de ser útil ao mundo através da nutrição. Meu trabalho é ajudar pessoas a se sentirem seguras e empoderadas, a ter uma relação mais saudável com a comida e a construir uma imagem corporal positiva e confortável para si mesmas. Posso dizer que 90% das pessoas que me procuram chegam até mim com o desejo de emagrecer, seja por recomendação médica, medo de ficar doente, pressão de algum familiar ou simplesmente porque acham que devem emagrecer. Confesso que nunca gostei muito da palavra DEVO. Ela me lembra de mais uma daquelas obrigações chatas da vida que por convenção social, precisamos cumprir.

“Em que momento nutricionistas deixaram de ser profissionais de saúde para ser escultores de corpos ou emagrecedores de gente?”

“Desde quando começamos a ter medo de comer?”

“Quando foi que permitimos que nos dissessem que para sermos saudáveis, felizes, amadas e bem sucedidas precisaríamos ser muito magras (só magra não é mais suficiente)?”.

Estes eram alguns dos questionamentos que fervilhavam dentro de mim…

Vivemos numa sociedade cheia de padrões e convenções a serem cumpridas, mas arrisco dizer que a ditadura da beleza e da magreza tem ganhado proporções assustadoras. Você vale o quanto você pesa, o que é uma grande injustiça! Criamos um pavor tão grande da obesidade e buscamos uma vida impecavelmente saudável que não percebemos que estamos caminhando para uma estrada perigosa, da relação disfuncional com a comida e com os nossos corpos, e dos transtornos alimentares.

Hoje, quando atendo mulheres saudáveis que chegam até mim com o desejo de serem ainda mais magras não deixo que elas saiam do consultório sem responderem algumas perguntas:

Por que você quer emagrecer, quais são as suas reais motivações?

O que vai mudar na sua vida, de maneira prática, quando você conseguir perder os 3 ou 4 kg que você tanto quer?

Que pessoa você vai se tornar quando conseguir?

Adoro ver a expressão no rosto delas. Uma mistura de surpresa, reflexão e comoção. Quando isso acontece, nem que seja por alguns minutos, elas deixam de seguir a boiada, de ser aquele ratinho de laboratório que corre a vida inteira numa roda, de ser aquela pessoa que leva uma vida inteira de dietas, se privando de momentos importantes, se culpando, se punindo a cada momento que tenta entrar num manequim que claramente não é o dela.

 Meu coração encheu de alegria quando escutei:

 “Eu não sei te responder. Talvez você tenha razão, minha vida vai ser a mesma quando eu estiver 3 kg mais magra,. Talvez eu não precise mesmo, talvez eu perdi tempo de vida fazendo dietas sem sentido este tempo todo…”.

Para alguns talvez possa parecer uma péssima estratégia de marketing fazer as pessoas pensarem sobre emagrecimento. Não penso assim. Eu sinto que quando faço as mulheres se questionarem estou dando asas, devolvendo poder para que elas decidam o que querem ser, que corpos querem ter. Incentivo que tenham uma alimentação e estilo de vida saudável, e deixo que elas decidam que peso querem ter e sinto que isso faz com que elas confiem mais em mim. Acho esta discussão tão importante que senti necessidade de trazer para fora do consultório e criei nas minhas redes sociais uma série de entrevistas chamada “#QUANDOOLHONOESPELHO”. Convidei mulheres que conheço e admiro para falar sobre imagem corporal, beleza, empoderamento e aceitação.  Tem sido emocionante! Compartilho um destes depoimentos e me despeço com o desejo de que sejamos cada dia mais livres de todos os padrões. Não há nada de errado em querer emagrecer ou em mudar qualquer coisa no nosso corpo, mas antes de tudo, que a gente tenha clareza desta busca, que a gente não se permita ser marionete de uma sociedade opressora. Que a gente tenha voz própria. Isto é poder! Que sejamos livres e lindas do jeito que quisermos ser!

“Às vezes quando olho no espelho vejo uma mulher muito bonita, determinada, batalhadora, que enfrenta os desafios e está disposta a ir atrás daquilo que sonha. Outros dias me vejo cansada e fora dos padrões. Tudo tem a ver com a energia do meu dia. Hoje tô vivendo um momento muito feliz com a minha família e me realizando profissionalmente. Mas esta felicidade e aceitação não é constante, tudo depende do meu humor. Me sinto pressionada a mudar algo no meu corpo constantemente. Mesmo que a gente tente ser uma pessoa livre e questione os padrões, às vezes me pego pensando: ‘Não vou vestir esta roupa porque não fica bem no meu corpo’ ou ‘Preciso emagrecer’ ou ‘Meu cabelo não tá legal, tem fios brancos’. A cobrança sobre o corpo da mulher é muito antiga, mas os questionamentos são bem recentes. A gente tem ainda muito a evoluir no nosso próprio empoderamento como mulher. Eu luto contra essa cobrança da sociedade e contra a cobrança comigo mesma, mas ela é difícil. Vejo olhares e ouço comentários: ‘Se você emagrecesse estaria mais bonita’. Poxa mas será que tudo que eu tenho e todas as coisas boas que eu sou não compensam aquilo que você vê?! Uma qualidade que admiro em mim é o quanto eu sou amorosa. EU AMO A VIDA. Apesar de ter sofrimento e desilusões, eu gosto da pessoa que me tornei e da vida que eu levo. O prazer em viver e o amor que eu tenho pelas coisas e pelas pessoas é o que eu mais gosto em mim. Me sinto muito poderosa quando sonho com alguma coisa e consigo chegar lá. Quando me imagino com uma roupa e me acho bonita. Eu diria às mulheres para buscar sempre a autenticidade. A gente tem várias ditaduras: da beleza, da amamentação, do parto normal, do status financeiro. Mas…O que a gente quer? Aonde a gente quer chegar? Corra atrás disso, destes sonhos. Se você quer ser mãe, seja. Se você quer ser uma executiva, corra atrás disso. Se você está bem consigo mesma, viva assim.” ⠀

Este foi o depoimento da Lírio*. Ela não quis expor o seu rosto. Lírio é a flor que ela mais gosta.

Para acompanhar a série de entrevistas, siga nas redes sociais:

Instagram e Facebook: @quandoolhonoespelho

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09 nov

Desconecte para conectar

Vivemos na era do conhecimento. Consumimos informação todos os dias, a todo momento.

Você liga a televisão e tem notícia, nos sites e blogs há uma matéria nova a cada fração de segundo, nas redes sociais você encontra os especialistas e os “entendidos”, palestras e workshops pipocam em todo lugar… Ah! E ainda existem os livros que resistem bravamente a era digital.

Passamos por uma fase onde quem sabe mais, sai na frente. E com isso vem a preocupação constante em não perder nada, em estar sempre online e conectado. O Dr. Google está aí nas nossas vidas, mais presente do que nunca, quer você goste ou não. Ele abriu as portas para tantos universos diferentes que antes eram acessíveis apenas aos diplomados. E isso foi revolucionário!

Quer saber para que serve aquele remédio? Dá um google! Como trocar resistência do chuveiro? Tem lá também! Se for pra descobrir uma nova dieta infalível? Você vai se surpreender com a infinidade de opções.

Assim como em outras áreas, o universo da nutrição está cada vez mais disponível e familiar: proteína de alto valor biológico, transgênico, low carb, hipocalórico, zero glúten, sem lactose e mais uma infinidade de termos nutricionais compõem o palavreado e as refeições das pessoas.

Antes no almoço tínhamos arroz, feijão, carne e salada. Hoje: carboidrato de baixo índice glicêmico, proteína vegetal e animal e vegetais. Acho isso muito engraçado. Paramos de comer comida e comemos nutrientes.

Não há absolutamente nada de errado em ter acesso a todas estas informações. Muitos especialistas e cientistas fizeram um trabalho duro para que chegássemos até aqui e evoluíssemos como sociedade. Porém, se por um lado toda essa facilidade de acesso ao conhecimento nos traz desenvolvimento intelectual; por outro, a pressa e a urgência de informações cobra um preço caro: a falta de presença e de conexão (mais uma das ironias da vida). E o que isso tem a ver com alimentação? TUDO.

Comemos de três em três horas porque lemos em algum lugar que é bom… mas nos esquecemos de quais são os nossos sinais físicos de fome. Preparamos nossa marmita impecavelmente nutritiva e almoçamos sozinhos, rolando o dedinho no feed nas redes sociais, sem saber que gosto tinha o que acabamos de ingerir. Bebemos whey protein no lanche da tarde porque é um ótimo lanche para o treino, quando queríamos mesmo era comer um bolinho gostoso e tomar um café quentinho. E nesta necessidade de ter um comportamento saudável, baseado em todo o conhecimento que consumimos vamos deixando de lado, dia após dia, nossos desejos e vontades, e os nossos sinais mais primitivos (de fome e saciedade). Seguimos a informação esquecendo da intuição.

Então hoje faço um convite a você: que tal na sua próxima refeição racionalizar menos e se permitir apenas sentir? Experimente só por um dia ouvir o que o seu corpo diz. Só por um dia!

Experimente não comer porque já se passaram 3 horas desde a última refeição, e sim quando e porque o seu corpo diz que já está na hora de você comer.

Aliás, como o seu corpo comunica que você está com fome? O que você sente, já parou pra perceber? Experimente não comer o que você acha que é saudável e apenas sinta o que o seu corpo pede para comer. Quais são os seus desejos?

Experimente programar um dia durante a semana para comer acompanhado(a) de uma pessoa com uma conversa gostosa e sinta o sabor incrível que a comida ganha. Já em outro dia permita-se comer completamente sozinho(a): sem celular, sem televisão, sem música. No silêncio completo. Ouvindo apenas o barulho da sua mastigação. Sinta.

Não se preocupe, o conhecimento que você adquiriu vai continuar aí dentro, com você. Seguir o seu corpo não faz com que a informação evapore de uma hora para outra. Você vai continuar sabendo que comer vegetais é saudável e que beber refrigerante não é legal. Mas dê um espaço para o seu corpo poder se expressar. Ele anda sufocado! Silencie o mundo. Coloque por alguns instantes tudo no MUTE. Agora aumente o volume da sua intuição. Ouça o que ela tem a te dizer. Na era da conexão da internet, estar conectada consigo mesma e com as pessoas ao seu redor é uma grande revolução. Na era da informação, guiar suas escolhas também dando voz aos sinais do seu corpo é poderoso!

Sinta. Experimente!

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18 out

Acupuntura e Autoconhecimento

Por Maria Dotina Martins*

Com a correria do dia a dia perdemos o hábito da observação e não percebemos que determinados sintomas tem muito a ver com as nossas emoções. Não  temos tempo para nós mesmos e tudo é muito automatizado.
Se o problema é dor de estômago, tomamos um antiácido. Para dor de cabeça, um analgésico. Se for ansiedade, resolvemos com  ansiolíticos. Insônia? Um remedinho para dormir resolve! E de preferência que o efeito do medicamento seja muito rápido!

Não temos tempo a perder (como se cuidar de si fosse perda de tempo). Damos prioridade ao nosso trabalho e não cuidamos de nós. Cuidamos do corpo exterior com muita atividade física e roupas bonitas. Não que isso não seja bom…mas o grau de importância às  vezes é exagerado.  Temos que estar sempre bonitos, bem resolvidos, alegres e aparentar saúde. E assim vamos deixando de lado as nossos sentimentos, nossas emoções.
Quem nunca teve insônia quando estava  muito preocupado? Ou dor de estômago depois de uma discussão?

Mas não nos damos conta da relação destes sintomas com nossas emoções.  Os sentimentos  não  tem muito importância nos dias de hoje, negligenciamos nossas emoções, não nos permitimos sentir. Temos que ser fortes! Como se sentir raiva, tristeza, medo fossem sentimentos para os mais fracos.

As emoções são saudáveis ao nosso equilíbrio, a intensidade e a maneira como reprimimos é que nos faz desenvolver determinados sintomas. É como se o nosso corpo estivesse pedindo “Olha para mim! Presta atenção!”. Se não cuidamos das emoções, o corpo responde com dores, náuseas, insônia e tantas outros sintomas que nos incomodam.

A acupuntura usa métodos  para aliviar os sintomas e equilibrar o corpo para lidar com as emoções, mas também  fazer a pessoa tomar consciência de onde apareceu  todo o seu mal estar.
A partir do momento que tomamos consciência do que nos prejudica ficamos com a opção  de  pensar numa maneira de resolvermos o que está a nos prejudicar de maneira menos traumática. Abrir os olhos quando determinado  sintoma aparece, nos fornece a informação do que nos afeta .

*Maria Dotina Martins é enfermeira acupunturista e minha parceira de trabalho.  Para conhecer mais o trabalho dela entre em contato através do  e-mail:  doti.martins@gmail.com

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02 out

Mergulhar em si

Por Mariléia Martins*

Você fica irritado muitas vezes pelo o que as pessoas pensam ou falam sobre você? Acha que as pessoas precisam mudar, ser mais educadas, ou mais competentes, ou talvez mais responsáveis? Quantas vezes você já se irritou por causa do comportamento do outro?

Você já parou para pensar, quantas vezes apontamos o dedo dizendo que as pessoas precisam mudar, que muitas vezes, elas são inclusive a causa de nossa infelicidade, irritação ou até mesmo do nosso problema? Já parou e pensou sobre isso?

O problema é que quando estamos olhando para o outro, nos colocamos no papel de vítima e, acabamos nos eximindo de nossa responsabilidade, simplesmente aguardamos e ficamos esperando que o outro mude. E se isso não acontece, acabamos nos frustrando e culpando  aos outros. Ou seja, enquanto o outro for a causa, me permito ficar na defensiva, olhando e esperando que alguém ou a situação ao meu redor mude.

Neste momento, perco a oportunidade de mergulhar para dentro de mim e tentar entender e descobrir, o que existe em mim, que me faz reagir e me sentir desta ou daquela maneira?  Porque fico tão irritado com o comportamento do outro? Porque me permito contagiar com o que o outro pensa ou fala a meu respeito? Porque certas situações me atingem tanto?

Cada pessoa escolhe como vai agir e reagir mediante a sua própria expectativa. E expectativa, cada um cria a sua. Pois nada tem valor, somente o valor que você der.

Estudos mostram que somos responsáveis por tudo que acontece conosco. Não somos mera vítima diante do acaso, mas sair deste papel as vezes não é nada fácil. E não é fácil porque as vezes temos ganhos secundários com isso.

Mas será que devo pensar que sou responsável pelas atitudes dos outros? Não. A questão não é essa. Você jamais será responsável pelas atitudes dos outros. Você é responsável pela forma como se sente e reage com o que o outro faz com você. E isso é uma escolha, e escolha pode ser mudada. Mas a questão não é se permitir sentir emoções positivas ou negativas diante do que outros fazem com você, mas sim a intensidade, e as vezes até a perda do controle mediante aquilo que não temos poder de mudar.

Mas diante de toda esta situação de analisar de quem é a culpa, só sei de uma coisa, a grande maioria das pessoas querem uma vida melhor, mais fácil e mais leve, mas muitas vezes não querem fazer a sua parte. É mais fácil que o outro faça e mude.

Mas para mudar é importante em primeiro lugar mudar por dentro. Mudar nossa forma de pensar, nosso jeito de falar, nossa maneira de encarar as situações da vida.

Se muda a partir do momento que se assume a responsabilidade por nossos sentimentos e emoções, ou seja, ninguém pode lhe fazer ficar triste ou irritado se você não consentir este poder a ela. Depois, ter consciência que a outra pessoa só mudará quando ela quiser e, por fim, quando você se responsabiliza por suas próprias escolhas  e, para isso é necessário analisar a situação e definir se você quer mesmo ter novos comportamentos mediante a mesma situação.

Eu mudei quando resolvi silenciar o mundo e ouvir o meu coração. Fiz muitos cursos e imersões de autoconhecimento. Fiz processo de coaching e tive o prazer em me conhecer.  Olhei para coisas em mim mesma que eu não queria olhar, vivi momentos de raiva, tristeza, dor, reflexões, chorei muito, mas também sorri e senti as emoções mais forte que eu precisava e queria finalmente senti. Descobri coisas em mim que jamais imaginava, descobri minha vocação, o meu caminho e consegui ter controle emocional, saí daquele alto e baixo emocionalmente. E neste processo de busca, tive as certezas que eu precisava. Aprendi que no fundo todas as respostas estavam dentro de mim. Parei de culpar as situações e pessoas pelo o que eu vivia e comecei a me responsabilizar pelas as minhas escolhas e pelos os meus atos. E a partir daí, comecei a ser protagonista da minha própria história.

Hoje tenho clareza do caminho que você estou seguindo, me permito viver a emoção que eu precisar sentir, sem culpar ninguém, mas vivo uma busca evolutiva, porque acredito que o autoconhecimento não tem um fim, e que a cada descoberta existirá um novo despertar.

* Este é um texto de Mariléia Martins, coach e minha parceira de trabalho.  Para conhecer mais o trabalho dela acesse: http://www.marileiamartinscoach.com.br/

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27 set

Afinal de contas, o que é autoconhecimento?

Por Mérope Vedana*.

Geralmente o que nos motiva a procurar psicoterapia, é quando temos algum sofrimento ou quando algo que nos incomoda. Diante dessa busca, o nosso objetivo é conseguir ter mais satisfação na vida e encontrar uma solução para nossos problemas.

Porém, algo que muitas vezes não nos damos conta é que, na psicoterapia, além de buscarmos atingir aquele objetivo, adquirimos também o autoconhecimento. Mas afinal de contas, o que é autoconhecimento?

Autoconhecer-nos é sabermos dizer o que controla os nossos comportamentos, o que nos faz agir de uma maneira ou de outra, como os comportamentos dos outros influenciam os nossos e como reagimos com tudo isso.

Por meio desse conhecimento, podemos prever como lidaremos com alguma situação e evitar sofrimentos futuros. Se nós não percebemos as consequências que nossos comportamentos têm na nossa vida, como saber a melhor forma de agir para alcançar um objetivo?

A psicoterapia é um contexto propício para isso, pois, além de contar com um profissional que te ajuda a refletir e entender como e porque as coisas acontecem, as sessões constituem um tempo no qual você dedica exclusivamente ao pensamento e análise sobre aquilo que incomoda, pensando em hipóteses, imaginando as possíveis situações e suas soluções. Por meio desse trabalho, com a ajuda e perguntas do terapeuta, nosso autoconhecimento vai aumentando.

E aí, será que você se conhece tão bem quanto pensa?

 

* Este é um texto de Mérope Vedana, psicóloga com experiência em Terapia Cognitivo Comportamental e minha parceira de trabalho.  A Mérope acredita que o autoconhecimento faz parte do processo de mudança de comportamento. Para entrar em contato como trabalho dela acesse:

Email: merope.vedana@gmail.com

Telefone: (48) 99148-3003

Facebook: https://www.facebook.com/meropevedana/

Intagram: https://www.instagram.com/meropevedana.psi/

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21 set

Como achar um exercício físico que você goste?

Praticar exercícios é uma necessidade, todos nós sabemos disso. Porque não precisa ser nenhum especialista para saber que caminhar, correr, pedalar, fazer musculação ou qualquer que seja a atividade de que você escolha é fundamental para se manter saudável. Afinal a mídia já cansou de nos mandar este tipo de informação, os médicos falam, os profissionais de educação física recomendam, os nutricionistas reforçam.

Para algumas pessoas praticar um esporte é natural, vem de criança ou já está embutido na rotina há muito tempo. Estas pessoas são aquelas que não conseguem viver sem se mexer. Chega a dar gosto de ver!

Mas e para quem isso não é tão natural assim? E para quem se lamenta todos os dias dizendo pra si mesmo que deveria estar numa academia e ao mesmo tempo tem calafrios só de pensar em ter que suar todos os dias? E para aqueles que vão para academia totalmente contrariados, sabendo que estão cumprindo uma obrigação e contam as horas para poder sair daquele ambiente? Como estas pessoas fazem? Como achar um exercício físico que você goste tanto que passe a contar as horas para praticar ?

Não sei. De verdade. Mas permita-me contar um pouco da minha experiência.

Nunca fui menina atleta, mas sempre gostei de brincadeiras ativas: esconde-esconde, polícia e ladrão, andar de bicicleta ou estar dentro da água. Gostava da sensação de suar. E principalmente da sensação de sentir o corpo cansado e ao mesmo tempo relaxado depois do banho.

Nos esportes coletivos de colégio sempre fui um fracasso. Nunca aprendi a jogar vôlei, meu saque não ultrapassava a rede. Futebol, nem pensar. No handebol tinha medo de levar uma bolada e ficar toda roxa (como fiquei várias vezes). Basquete? É, eu gostava um pouco mais, mas minha estatura não permitia grandes enterradas.

Era sempre a última a ser escolhida nos times. Sempre. Acho que meu professor de educação física em um certo momento ficou com pena e às vezes deixava que optássemos por fazer o esporte coletivo ou por correr num circuito que ele mesmo montava, com cones e outros obstáculos. Passei a correr. Meu professor marcava o tempo e eu corria tentando superar meu próprio tempo. Volta e meia ele mandava eu entrar numa quadra de vôlei ou de handebol, para não esquecer como jogar (como se algum dia eu tivesse aprendido…) mas acho que ele via minha cara de tristeza e na semana seguinte eu voltava para o circuito.

Aos 8 anos entrei para o taekwondo. Fiz durante um ano. Eu gostava, de verdade! Mas a academia fechou e eu parei.

Aos 9 tinha crises de asma bem fortes e meu pediatra pediu que minha mãe me matriculasse em uma aula de natação. Este seria meu tratamento. Me lembro como se fosse hoje das primeiras aulas. Meu fôlego era de um senhor de 90 anos. Aos 11 tive minha última crise de asma. Nunca usei broncodilatador (aquela bombinha, sabe?). Este homem sabia das coisas. Eu amava nadar, ali embaixo da água me transportava para um mundo só meu, fugia da realidade e ao mesmo tempo colocava minha cabeça em ordem. Eu gostava da sensação de ouvir o som abafado debaixo da água. Continuei na natação até os 15 anos. Até que senti necessidade de parar. Tinham se passado 6 anos praticando o mesmo esporte e eu queria coisas diferentes.

Fiquei um tempo sem fazer nada. Me assumi sedentária. Não queria fazer nada. Mas isso logo passou. Tentei dançar: foi um horror! Aulas de ginastica (body pump, body jump e coisas afins): também não deu muito certo. Tive a mesma sensação de quando eu estava na quadra. Não conseguia acompanhar o ritmo da turma, me sentia perdida. Essa coisa de coordenação motora nunca foi meu forte. Fiz musculação durante alguns anos, entre indas e vindas, mas não tinha tesão. O que eu mais gostava na academia era correr na esteira. O resto achava entediante. Vi que não era para mim. Neste meio tempo fazia algumas caminhadas mas nada muito sistemático.

Até aos 27 anos, numa sessão de acupuntura, o profissional que me atendia disse uma coisa que eu nunca havia pensado antes:

Júlia, você precisa de esporte de explosão. Você precisa extravasar! Tens muita energia aí dentro e isso tem que sair! Vai fazer uma luta ou corre. 

Obedeci. Fui experimentado vários esportes que pudessem me trazer esta sensação. Fiz muay thai durante um tempo, passei pela Ashtanga, uma modalidade de yoga com movimentos bem fortes e comecei a correr aos pouquinhos.  Uau! Fluiu. Uma delicia.

E foi aí que eu entendi que tipo de esporte funcionava para mim. Eu não me encaixava nos coletivos. Gostava de fazer as coisas no meu ritmo. Porque no coletivo você tem que acompanhar o ritmo do time ou do parceiro e como eu não conseguia, isso me angustiava. Eu deixava de prestar atenção em mim para tentar seguir o ritmo do outro. E saia tudo errado. Pelo menos para mim.

Primeiro aprendizado: Definitivamente eu sou dos esporte individuais. 

E ele tinha razão, eu gostava da sensação de ter explosão. Quem me conhece superficialmente sempre comenta que me pareço calma. Isso não é verdade, mesmo. Minha cabeça é frenética, pipoca mil coisas, tenho um ideia atrás da outra e em alguns momentos isso me deixa muito ansiosa e estressada. E é aí que o esporte entra. Quando fazia luta ou hoje quando corro, minha cabeça para, os pensamentos silenciam. Toda a minha atenção vai para o meu corpo, para meus pulmões. É quase uma meditação, consigo desligar do mundo. Depois vem o cansaço e a calmaria. Felicidade.

Segundo aprendizado:  O sentimento que me motiva a fazer um exercício é a sensação de esvaziar. Esvaziar a mente. É como se as minhas preocupações, ansiedade, medos, problemas saíssem de mim junto com meu suor. Juro que quando me olho suada no espelho eu penso:  “Saiu tudo de ruim que tinha aqui dentro”. Parece loucura, mas é verdade. E só consigo sentir este esvaziamento quando faço esportes de explosão.

E você? Já parou pra pensar que tipo de sentimento você quer ter com o esporte?

Se para mim quero esvaziar, para outra pessoa pode ser outra coisa completamente diferente: se sentir leve, livre, sensual, poderosa….

Eu continuo sem saber como fazer as pessoas passarem a gostar de fazer esportes mas quando me perguntam sobre isso digo: Primeiro você tem que se conhecer. Pense no sentimento (o que você quer sentir durante e depois do exercício?). Depois experimente o máximo de possibilidades que tiver disponível. Consulte profissionais de educação física, explique o que você quer sentir e peça que eles te ajudem a encontrar a sua “praia”.  A maioria das academias tem aulas experimentais gratuitas. Existem também os clubes de corrida, treinamentos funcionais, aulas de circo e de yoga ao ar livre. Vá circulando por elas até você sentir que encontrou a sua turma ou quem sabe você perceba que a sua turma é você mesma (assim como eu). Não tente se enquadrar num esporte que não tem nada a ver com você ou que não traz nenhum prazer para sua vida. Já estamos cheios de obrigações que não podemos escapar, não faça com que o esporte seja mais uma destas obrigações chatas.

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04 set

Oi, Eu sou a “Euprecisoemagrecer”.

Esta é uma crônica, uma personagem fictícia e ao mesmo tempo um retrato real. Poderia até ser uma trágica comédia, se não fosse tão palpável para muitas mulheres que eu conheço e com quem já conversei. Pessoas que buscam incansavelmente o emagrecimento, que já tiveram muitas decepções, impuseram punições a si mesmas, recomeçaram inúmeras vezes e ainda sim foram apontadas pela sociedade como as ‘sem força de vontade’. Uma crueldade! Mas vamos ao relato…

“Olá, tudo bem? Meu nome é Euprecisoemagrecer.

Estou com 35 anos, trabalho numa empresa legal e tenho um emprego bacana. O grande problema na minha vida nunca foi profissional, mas sim meu peso. Desde que me entendo por gente sempre lutei contra a balança. Quer dizer, eu fui uma criança magra e na adolescência também não tive grande problema com o peso, mas depois dos 18 tudo começou a ficar complicado. Sou daquele tipo encorpada (ah como eu odeio esta palavra!), sou alta, pernas longas, coxas grossas, bumbum grande. Meu manequim hoje é o 42, mas não consigo me conformar com esse número. Quero voltar para o 38, que era o meu peso aos 18, época que eu me achava deslumbrante! Inclusive tenho umas calças guardadas, porque eu sei que vou voltar para aquele peso um dia. Meu marido e minhas colegas de trabalho vivem dizendo que eu sou um mulherão. Mas não sei se onde eles tiram isso. Chega a me irritar! Eu sou gorda, isso sim!
Já fiz e faço tudo que posso para para perder peso: dieta da lua, do sol, da chuva e do arco-íris. Já fiz aquela de chupar limão por 20 dias e a de comer só abacaxi. Já comi muita carne e ovo (dúzias de ovos) e já fiquei semanas me alimentando só de plantas. Já cortei o açúcar, tomei shake, e litros de chá. Bebi chá pra tudo quanto é coisa: pra desinchar, pra ir ao banheiro, pra emagrecer, pro tal efeito termogênico. Hoje não posso mais ver chá na minha frente, deus me livre! Já gastei fortunas em goji berry, sal rosa, chia e todos os tipos de sementes que você pode imaginar. E como são caras, menina?! Até remédio já usei pra emagrecer. Funcionou por um tempo e eu até emagreci, mas me tornei insuportável, histérica. Realmente, hoje eu admito, conviver comigo naquela época não era uma tarefa fácil. Hoje não tomo mais porque também tenho medo de me dar um treco! Tenho filhos e não quero arriscar.
Também malhei, suei muito! Comecei na aula de ginástica, fui pro body pump, body jump, passei pela zumba e pelo balé fitness. Agora estou no crossfit. Vou com umas amigas, que me disseram que ia ser bom para mim. Vamos ver no que vai dar. Lá no box tem um povo lindo!
Acontece é que a minha vida é pura inconstância. Uma hora como tudo certinho, sou disciplinada, malho. Tudo como manda o figurino. E chega à noite…ah a noite é uma perdição. Não consigo ser disciplinada. Como tudo que vejo pela frente. Abro a geladeira e começo com uma fruta, passo para o biscoito…e nada daquela fome desesperadora passar. Quando vejo já comi 2 pães com maionese, queijo, presunto e ovo frito;  um copo de Guaraná beeem geladinho e 3 Bis pra fechar! Ah…que delícia! O problema é que a fase “delícia” dura pouco. Logo me pego pensando: “Meu deus, como eu fiz isso?! ” “Coloquei tudo a perder!” “Eu sou uma fraca mesmo! Nunca vou ter disciplina pra ter o corpo que eu quero!” “Burra! Burra! Burra!”
No outro dia a danada da culpa ainda está ali, pendurada no meu ombro, me fazendo lembrar da tragédia na noite anterior. Me sinto mal, muito mal. Arrependimento me consome.
Nos finais de semana é festa! Ahh por favor, ninguém merece fazer dieta e comer salada no final de semana! É o meu dia do lixo, de aproveitar e comer tudo que eu quiser, é a liberdade!
Acontece que na segunda, tô acabada, me sinto mal. Fraca, de novo!
Por alguns dias desisto de tudo: mergulho de cabeça no carboidrato (como é bom voltar a comer pão e macarrão), me presenteio com alguns bombons (porque eu mereço um pouco de conforto), me recuso a ir para a academia e opto por ver minha sérias preferidas no Netflix. Me sinto como se eu não fosse merecedora de estar lá, dividindo espaço com aqueles corpos lindo e sarados, esculpidos a muita disciplina, foco, força e fé. “Não, não…melhor desistir de tudo mesmo e ficar aqui escondida no meu sofá”, minha voz volta a me lembrar.
Algumas semanas depois, o peso que acabo de ganhar volta a me incomodar. Me sinto motivada a recomeçar. Agora sim, eu vou levar a sério! Se muita gente conseguiu? Por que logo eu não vou conseguir?!
Mas desta vez vai ser pra valer. Nem que eu passe muuuita fome, eu vou emagrecer, de qualquer jeito! Me pego sorrindo. “É logico que você vai passar fome, bobinha! Ou você é tão ingênua a ponto de pensar que todas aquelas meninas do crossfit não passam fome o dia inteiro?” Claro que sim! Impossível comer o que quiser e ainda ter aquele corpo! Mas não faz mal, se for pra ter um corpo lindo e magro, tá valendo o esforço.
Minha meta é ter aqueles ossinhos da clavícula aparecendo…como é lindo! Ok..ok, vamos a parte prática.
Hoje preciso ir ao mercado de produtos naturais e comprar tudo que preciso e me programar para ir na hora do almoço na casa de shake. Eu acho tão doce e enjoativo, às vezes bebo aquilo e me pego pensando em um prato de arroz, feijão, bife e batata frita (chego a salivar!). Mas tudo bem, arroz com feijão não vai me deixar magra, então esquece! Também preciso ligar para ver se já posso voltar hoje mesmo para o crossfit. Acho que eu gostava mais quando fazia o balé…mas pensando bem não emagreci 1 kg fazendo balé! Qual o sentido de fazer um exercício e não emagrecer? Não, não. Tá decidido, vai ser crossfit mesmo. Vai ver com o tempo eu me acostumo e gosto… “

Esta crônica tem exclusivamente a função de fazer com que você pare, leia, reflita e depois pergunte a si mesma:

PARA QUE você quer emagrecer ou mudar o seu corpo¿

Qual o objetivo desta busca¿

De maneira prática, que mudanças aconteceriam na sua vida,  que não existem hoje¿

Entender suas reais motivações é ter clareza da sua busca. É guiar-se pela suas próprias motivações, que são muito mais genuínas do que as motivações externas. É ser mais verdadeira com você mesma.

 

 

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13 jun

O que eu aprendi com vocês

Hoje é sábado, tem sol e faz frio. Apesar de estar um dia lindo lá fora acordei com vontade de ficar embaixo das cobertas, com uma caneca de café do lado e escrever. Isso tem sido novidade para mim, escrever e perceber que gosto disso. Sempre achei que tinha dificuldade para escrever. Na época da faculdade, me virava bem nas apresentações, mas sofri muito para entregar os trabalhos escritos pois a minha habilidade de síntese e objetividade sempre falou mais alto e demorava horas para chegar no limite mínimo de páginas que os professores exigiam. Então, assumi para mim mesma que eu não era boa nessa coisa de escrever e não tentei mais.

Até que numa noite de insônia me trouxe a oportunidade de experimentar a escrita novamente. A cabeça fervilhava e às 1:30 da manhã desisti de tentar dormir e atendi um impulso interno que dizia que eu deveria escrever. Liguei o notebook e comecei a despejar muitas coisas que eu estava sentindo. Foi sem muito planejamento ou pretensão, só segui o fluxo. O texto não falava nada sobre nutrição ou hábitos saudáveis, minhas tradicionais pautas por aqui. Ele falava de mim e me expus como nunca havia feito antes, mais como uma forma de esvaziar a mente do que qualquer outra coisa. Terminei o texto, li, reli muuuuitas vezes e apesar de tudo que ter sido totalmente verdadeiro pensei se deveria divulgar…o que as pessoas iriam achar? Até que foi no “ah! vou pagar pra ver no que dá!” E o resultado foi surpreendente… no texto que eu mais me expus, naquele que não falei de comida, não divulguei nenhuma receita ou dei uma dica incrível de emagrecimento, foi onde tive os melhores retornos das pessoas que leram. Elas me disseram:

“Que lindo”, “Muito emocionante”, “Adorei ler”.

Batizei este texto de Sobre ser uma sonhadora.

Todo este retorno me fez ter vários insights e mudar não uma, mas várias chavinhas internas. Por isso, agradeço de coração por cada palavra carinhosa de incentivo. E como forma de agradecimento, decidi compartilhar aqui o que vocês fizeram com que eu aprendesse sobre mim mesma:

Sempre é tempo de reavaliar vários conceitos que você tem sobre você.

Além de acreditar desde sempre que eu não conseguia escrever, sempre disse pra todo mundo “Eu não consigo ser produtiva à noite”. Sempre achei que o meu auge era pela manhã, bem cedinho. E realmente é! Mas olha só o que eu consegui fazer: escrever um texto que as pessoas gostaram de ler e de madrugada! Parece um exemplo bobo, mas tem muito significado. De verdade, nunca pensei que fosse capaz. Aprendi que eu não escrevo tão mal assim, desde que eu tenha liberdade para criar, viajar e sonhar (como uma fiel pisciana), desde que venha aqui de dentro e fale do que eu acredito de verdade. E sim, eu consigo ser produtiva em outro momento do dia, e não só pela manhã! Então antes de dizer: “Eu não sei andar de bicicleta ou eu não consigo deixar de comer pão ou  nunca vou conseguir acordar mais cedo para fazer uma atividade física, eu não sei isso e aquilo outro…“, eu te pergunto: Será mesmo? Ó eu escrevendo aqui de novo e provando que dá sim!

As pessoas se conectam com pessoas e não com currículos.

Percebi que quando eu consegui falar de mim, mostrando que eu não sou modelo de nada e tornando públicas as minhas qualidades e fraquezas (que hoje nem sei se são fraquezas, mas não achei outra palavra), quando falei do que eu acreditava que ser uma forma de trabalho mais humana, do que eu podia fazer para ajudar as pessoas e também do que eu não podia fazer (neste texto aqui)…..pimba! Conexão! Aquela palavrinha que eu falo tanto por aqui e que há tempos eu queria transmitir, sem saber exatamente como.  As pessoas não querem exemplos de vida perfeita, isso tá cheio nas redes sociais. Gostamos de ver os corpos lindos, as dietas que não furam nenhum dia e as viagens perfeitas; mas não nos conectamos com isso. Não sei você, mas de verdade…isso não se parece com a minha vida e não me representa. Agora existem algumas mulheres poderosas que tem me inspirado ultimamente, como a Amanda Mol, Ju amora, Rafaela Cappai e tantas outras, que desenvolvem um trabalho lindo, mas sem deixar de mostrar os bastidores, o que acontece por trás das cortinas, os perrengues da vida que elas, eu e você temos que enfrentar todos os dias. Isso sim, me transparece verdade e é por isso que decidi também começar a mostrar os meus “bastidores”. Como diria minha nova banda favorita, Moveis Coloniais de Acaju.

“Verdade não me traz solidão. O amor vem sempre junto”. 

Nem tudo vai sair perfeito e tá tudo bem.

Se você perguntar numa creche pras crianças: “Quem aqui sabe desenhar?” Aposto que a maioria vai erguer as mãozinhas. Agora se você chegar numa empresa e fizer a mesma pergunta, poucos corajosos vão levantar a mão, provavelmente só os que desenham muito bem! Mas a pergunta não foi “quem aqui é artista, pintor, cartunista?“, foi simplesmente “quem sabe desenhar?“. Se você sabe fazer o sol com a casinha, SIM você pode levantar a mão confiante e dizer “Sim, eu sei desenhar!”.  

“Tudo tem que sair perfeito. Tudo tem que sair perfeito”, é quase como um mantra que a gente aprende sei lá desde que idade e repete mentalmente por toda uma vida. A gente corre o tempo inteiro atrás de padrões de perfeição: seja com um corpo magro esculpido a muita malhação e comida impecável; seja na posição de esposa sexy, mãe 100% dedicada, filha atenciosa ou mesmo passando a imagem de profissional competente desempenhando um trabalho daqueles fodas! Pois é, mais não vai dar pra ser o máximo em tudo, sinto te contar. Alguma coisa vai ficar capenga nesta historia, simplesmente porque a gente não consegue (e nem precisa) ser perfeito em tudo. Por conta desta cobrança pela perfeição e porque estamos sempre querendo que as coisas deem um resultado esperado, quantas coisas a gente deixa de fazer porque acha que não é bom o suficiente para assumir que sabe fazer? E se a gente não esperasse um resultado ao final e simplesmente curtisse o processo?

Achei aquele texto sobre ser spnhadora que eu escrevi legal? Sim! As pessoas curtiram? Sim! Será que ele ficou bom o bastante para estar em um livro? Provavelmente não. Ou será que sim? Sei lá! Só sei que aprendi que o fazer, simples e sem grandes pretensões, sem tantas expectativas fica muito gostoso. Se eu estivesse pensando que isto que eu estou escrevendo agora teria que me render uma matéria de revista, provavelmente nem teria começado. Então vamos combinar que não precisa fazer o 100% pra começar a fazer. Não precisa ter o cenário ideal pra mudar o que você deseja. Quem te disse que tem que ser sempre perfeito, senão não vale nada? O que eu quero dizer é, por exemplo, que você não precisa correr uma maratona pra se senti ativo; nem ter uma barriga chapada ou vestir um manequim 36 pra fazer as pazes com o espelho, nem muito menos comer tudo orgânico, low carb, ou preparar um café da manhã lindo todos os dias (digno de foto no Insta) pra ter uma alimentação legal. SE você quiser e PUDER fazer isso, legal! Vai em frente, acho o máximo! Mas se o que você puder fazer hoje é substituir o pão doce pelo integral, já tá valendo também. Aprendi com aquela moça, a Rafa Cappai uma coisa que tenho usado em tudo na minha vida:

“Sonha grande mas faz pequeno”

O que você pode fazer hoje, de pequeninho, que vai te fazer conquistar a vida que você tanto deseja? O que você está precisando reaprender sobre você mesmo? Puxa um café e pensa aí!

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31 mai

Sobre ser uma sonhadora

Hoje senti vontade de escrever uma história…a história de como comecei a me conhecer de verdade, retomei uma paixão antiga e de como cheguei até aqui.

Então se acomoda aí e puxa um cafezinho que lá vem textão…

Durante toda a minha infância e boa parte da adolescência, sempre fui uma menina muito tímida. Tímida mesmo, de ter vergonha de pedir um pão na padaria! Falar com uma pessoa estranha me dava pânico. Isso fez com que durante muito tempo eu tivesse grande dificuldade em socializar e fazer novas amizades, sempre fui do tipo “poucos e verdadeiros amigos”.

Intuitivamente logo percebi qual era o meu refúgio preferido: desenhar. Se você quisesse me arrancar um sorriso era só me presentear com um livro de colorir, uma caixa de canetinhas coloridas ou de lápis de cor (de muitas cores!). Desenhava em todos os lugares: em casa, nos cadernos do colégio (principalmente nas aulas de matemática, argh!), no guardanapo do restaurante (e se tivesse aquele papel enorme que cobria a toalha de mesa era a glória, comia rapidinho e já saia pedindo uma caneta para alguém que estava à mesa ou mesmo para o garçom e começava a rabiscar). Era instantâneo: 5 minutos desenhando e eu conseguia me desconectar de tudo e fugia para uma outra dimensão só minha.

As bonecas e os bichinhos de pelúcia empoeiravam nas prateleiras, mas meus cadernos e canetinhas, ah destes cuidava com todo amor. Eu conseguia passar horas deitada de bruços no chão do meu quarto de perninhas pro alto, rodeada de papel e lápis de cor, desenhando livremente, sem regras, sem pretensões. Era o meu mundinho particular. Ali, entre um rabisco e outro, misturando cores, eu inventava histórias, me expressava e sonhava…e como sonhava! Imaginava como seria a minha vida quando adulta, que lugares eu conheceria, que aventuras eu iria enfrentar por aí…

O tempo passou , eu cresci e amadureci. Hoje não sou mais tão tímida como antes, aprendi que existia um mundo aqui fora (além do meu particular) e que cultivar bons relacionamentos era essencial pra minha sobrevivência. Me formei na faculdade, iniciei uma carreira, aumentaram as responsabilidades, os desafios, compromissos e as expectativas. Veio a vida séria, careta e ao completar meus 30 anos percebi que o “virar adulta” tornou-se real. Voltei às memórias de infância e de todas as coisas que eu imaginava que teira feito quado fosse uma mulher “madura” de 30 anos (hahaha). Pimba! Deu crise e veio aquela inquietação gigante cheia de dúvidas.

Comecei a questionar a forma como estava conduzindo minha vida até aqui, meus valores e propósitos com o trabalho que eu estava realizando e vi que algumas coisas não se encaixavam. Então decidi parar, dar alguns passos atrás, não para regredir, mas para ver o cenário com mais distância. E enxerguei…

Em algum momento da vida, porque “eu tinha compromissos mais sérios“, “outras prioridades“, “muitas preocupações“, esqueci daquela criancinha lá de trás, aquela que desenhava deitada no chão, que alimentava minha alma criativa, nutria meus sonhos e me fazia enxergar a vida com um propósito muito maior e bonito, do que só viver por viver ou para pagar contas todo mês.

Percebi que era a hora da virada, de me encontrar novamente e trazer a alma da criança para um corpo, digamos, agora mais madurinho.

Aquela versão Júlia sonhadora, me fez lembrar dos motivos que me fizeram escolher a faculdade de nutrição: ela acreditava que poderia transformar a vidas das pessoas por meio da boa comida. Porque ela tinha certeza que alimento de verdade tem um poder de melhorar a forma como a gente se relaciona com a gente mesmo e com o nosso meio ambiente. Porque ela entendia que comida não tem só calorias, ela tem afeto, que vale muito mais! Porque ela lembrava que as receitas da avó não tinham só muito açúcar, elas também tinham memórias (todas vivas dentro de mim). Porque ela defendia que a comida une pessoas para compartilhar boas histórias. Porque ela levantava a bandeira de que cozinhar é uma das muitas formas de amar. E por fim, ela me lembraria, soprando no meu ouvido, que temos uma sabedoria primitiva que nos guia e que soubermos resgata-lá ela nos fará fazer as melhores escolhas para a nossa vida (inclusive alimentares).

Resolvi ouvir e aceitar todas as dicas que minha versão sonhadora me diria e colocá-las em prática, afinal ela sempre foi a minha versão mais intuitiva e sempre soube das coisas.

 Aguardem por lindas novidades recheadas de sonhos e propósito.

“O seu trabalho é a expressão de quem você é no mundo”

E você,  a sua versão criança e sonhadora gostaria de ver quem você se tornou? O que ela te diria hoje?

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22 mar

Vamos fazer uma brincadeira de imaginação?

Primeiro olhe atentamente para esta imagem:

praça

Ambiente 1: Muita gente falando, vários restaurantes no mesmo ambiente, muita informação visual (placas, luzes, cardápios expostos), campainha de senha apitando, dificuldade para achar uma mesa, cadeira com assento desconfortável, iluminação intensa, ambiente frio (por conta do ar condicionado ligado), o piso está impecavelmente branco e cheirando a desinfetante.

Agora feche os olhos e se imagine almoçando neste lugar. Neste exercício não importa muito O QUE você vai comer, mas sim COMO será sua refeição. Tente imaginar como é estar neste ambiente

  • Perceba os sons
  • Que sensações você percebe? Sente-se calmo ou mais ansioso?
  • Qual cheiro tem este local?
  • Você está sentado de forma confortável?
  • Como você estaria fazendo suas refeições: comeria rápido ou devagar?
  • De que forma perceberia o que colocou no seu prato (sabores, aromas, texturas).

Tente captar tudo. Vai lá! Fecha os olhos e sente….

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Agora vamos ao ambiente 2:

imagem-1Parece ter bastante movimento mas há uma musica calma tocando num volume baixo e isso faz com que as pessoas à sua volta também falem mais tranquilamente, existem árvores e plantas no local, a iluminação é natural e as mesas ficam ao ar livre, você percebe um cheiro leve de terra e de mato (estas, que estão circundando as mesas).

Feche os olhos e visualize como seria fazer fazer suas refeições neste lugar….O que você sentiria ali?

Você pode fazer este mesmo teste no local onde você costuma almoçar.  Antes de começar a comer, fique em silencio e simplesmente sinta o ambiente.

O ambiente onde fizemos nossas refeições dita muito nossos sentimentos (posso sentir mais ansiedade ou tranquilidade, por exemplo) e isso interfere muito na forma como nos alimentamos (o que e quanto comemos e quanto tempo levamos para fazer esta refeição). Isto porque nos tornamos muito mais atentos e conscientes de nossas escolhas e sensações (fome e saciedade, por exemplo). Em um ambiente tranquilo, é muito mais fácil se conectar com você mesmo e “ouvir” o que o seu corpo fala.

Mas…muitas vezes, por conta de questões práticas nos vemos limitados para escolher o ambiente de nossas refeições, seja por conta da distância, trânsito, horário de intervalo de almoço e por aí vai….

Por isso, criei uma listinha de ações que podem ser tomadas para criar o seu próprio ritual e o seu “refugio” alimentar:

  • Reserve no mínimo 30 minutos para o almoço, você vai usar este tempo para se servir (ou fazer um pedido), comer e pagar. Comer com pressa olhando no relógio nunca é uma boa. Não há canto de passarinho que te traga tranquilidade se você está atrasado.
  • Para os que almoçam em restaurante: saia do automático e estude as opções em seu entorno: qual é aquele que proporciona um ambiente mais tranquilo?
  • Se possível, procure almoçar em horários mais alternativos (antes das 12h ou após às 13h). Os restaurantes são mais calmos nestes momentos.
  • Nos dias mais agitados e tensos, respire fundo umas 7x ou faça uma pequena prece (para agradecer pela refeição, por exemplo) antes de efetivamente começar a comer. Isso muda nosso padrão de respiração e com isso diminui a ansiedade e a tensão.
  • Outra solução é ouvir uma música que te traga sensação de calma em um volume não muito alto (as instrumentais funcionam bem). A música é capaz de interferir nas nossas ondas cerebrais e diminuir a agitação.
  • Algumas pessoas comem com mais calma quando estão acompanhadas conversando, outras preferem estar sozinhas, curtindo seu momento. Veja o que te traz mais tranquilidade e se for necessário arranje uma companhia (ou se livre dela!) :)
  • Consegue comer em casa? Então você é um abençoado e tem todas as ferramentas para criar uma vibe de amor. Ah! Deixa as brigas de família e discussões mais tensas pra outra hora. Briga amarga qualquer comida! Refeição é hora de compartilhar coisas boas.
  • Se o seu horário permitir, reserve ao menos 10 minutos após as refeições para ficar quietinho: ler um livro, dar um cochilo, ouvir uma musica ou simplesmente ficar em silêncio. Acredite, é revigorante e muito produtivo.

 

“Crie paz no seu coração, e o mundo ao seu redor será pacífico”

 Natalie Wiese

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30 nov

Comer consciente

Comer consciente (Mindful food) é uma proposta que deriva do termo mindfulness e não se preocupa com contar calorias, saber a quantidade de sódio ou de açúcar das refeições. A proposta é outra: escolher uma alimentação de qualidade sim, mas dando dando maior ênfase a forma como as refeições são feitas. É estar presente durante as refeições e sentir o que o alimento pode nos proporcionar, desde nutrir nosso corpo, nossos sentidos, até nutrir nossa mente e coração.  

“Mindfulness é uma tradução para inglês da palavra Sati. Sati é definido como “a capacidade de se lembrar”, e a ideia é de estarmos conscientes do que se passa no nosso corpo, na nossa mente, nos nossos pensamentos e nas nossas emoções. Ou seja, de nos lembrarmos de prestar atenção, a ter consciência de nós próprios.”

O comer consciente começa muto antes do ato de se alimentar em si. Já inicia no momento das compras, observando bem os alimentos mais frescos ou lendo rótulos das embalagens. É importante que você conheça do que é composto cada produto que você compra. Não esqueça que uma das poucas atividades que você faz e vai continuar fazendo enquanto estiver vivo é comer, pelo menos 3 vezes ao dia. Por isso, faça com que os alimentos que irão nutrir e dar energia ao seu corpo sejam na maior parte das vezes compostos por ingredientes de qualidade.

Ao preparar seu alimento, por mais simples que esta preparação seja, comece a prestar atenção aos aromas que vão exalando ao picar ou colocar cada ingrediente na panela: o cheirinho de uma manga madura na fruteira, do café sendo passado ou da cebola sendo refogada (huumm). Isto também é estar consciente, percebendo todas as sensações a sua volta.

Diminua ao máximo as distrações na hora de se alimentar. Isso inclui desligar a televisão, sair do celular e evitar ler. Assim, você consegue prestar mais atenção ao que está fazendo de mais importante naquele momento (se alimentando)  e consegue perceber todas as sensações:  aromas, texturas, sabores, sinais de fome e saciedade. 

Imagine que você escolheu alimentos da melhor procedência, preparou sua refeição com todo o cuidado, maaaasssss…na hora de comer você mal senta em uma banqueta, engole tudo em 5 minutos, ao som do jornal, que ao fundo noticia uma tragédia. Por isso, crie seu ritual, monte seu prato com carinho e torne o ambiente harmonioso e tranquilo. Isso certamente auxiliará na digestão e  trará saciedade, conforto e paz.

Preste atenção em comportamentos inconscientes: momentos que sente-se mais ansioso(a), compulsivo(a), estressado (a), etc. Presenteie-se com momentos de silêncio e sossego e experimente incluir na sua rotina diária atividades de relaxamento: pode ser fazer yoga, uma meditação, ler, ouvir música; qualquer coisa que te traga serenidade.

Escute seu corpo. Procure diminuir sua ansiedade antes de iniciar a refeição, respirar fundo 5 vezes ou fazer uma prece são alternativas que podem ajudar.  Se seu corpo dizer “chega” é “chega”. Não force a alimentação e não coma se não estiver com fome.

Observe como seu corpo reage aos alimentos. O natural é após as refeições você se sinta disposto, com energia (porém leve), saciado e confortável. Sentir-se estufado, enjoado, com sensação de queimação, com muitos gases, ficar com o abdome distendido ou muito cansado/sonolento não é saudável.

“É importante se reconectar com as suas necessidades e não focar nas regras dos outros ou nas que foram impostas a você. Comer de maneira consciente melhora muito a sua relação com a comida e com o seu corpo…”
Sophie Deram

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24 out

O que você pode fazer para diminuir o desperdício de alimentos

O Brasil está entre os 10 países que mais desperdiçam comida no mundo.

35% de toda a produção agrícola vai para o lixo, o que equivale a mais de 10 milhões de toneladas de alimentos que poderiam alimentar 54 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza.

12 bilhões de reais em alimentos são jogados fora diariamente; valor suficiente para garantir café da manhã, almoço e jantar para 39 milhões de pessoas.

Uma família média brasileira desperdiça cerca de 20% dos alimentos que compra na semana.

Se estes dados são chocantes para você também, existem algumas atitudes que  nós, consumidores podemos assumir para ajudar a minimizar tamanho desperdício:

  1. Consuma todos os dias frutas, verduras frescas, legumes e cereais. Se a sua alimentação é rica em carnes, procure diminuir aos poucos.  Gastamos muito mais recursos na pecuária e agronegócio.
  2. Procure alimentos da estação, orgânicos, produzidos na sua região, de cadeia curta, não refinados e sem embalagem.
  3. Adquira apenas o que vai conseguir consumir, evite fazer estoques.
  4. Se cozinhou mais do que o necessário, congele o que sobrou. Depois você pode reaquecer ou ainda transformar esta sobra em um prato novo!
  5. Prefira produtos regionais e de cadeia curta. Adquira diretamente do produtor ou em feiras livres.
  6. Talos, cascas, caules, folhas, bagaços também são alimentos. Procure adicioná-los em suas preparações, como sopas, refogados, arroz, tortas salgadas, sucos, biscoitos, etc.
  7. No restaurante peça para embrulhar o que sobrou da refeição para viagem.
  8. Procure usar equipamentos de cozinha que otimizem o tempo de cozimento e evitem o desperdício de energia elétrica, como panelas de pressão e panelas a vapor (onde você pode cozinhar duas coisas ao mesmo tempo: na imersão em água e no vapor).
  9. Aproveite a água que usou para cozinhar legumes e tubérculos para usar em sopas, caldos, refogados.
  10. Evite o uso abusivo de embalagens descartáveis. No trabalho e em casa, troque o copo descartável por canecas de porcelana ou garrafinhas de vidro e tenha recipientes reutilizáveis para marmitas.

Fontes:

Cozinhando sem desperdício. Lisa Casali. Editora Alaúde. 

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/3381192/pesquisa-identifica-fatores-de-desperdicio-de-alimentos-em-familias-de-baixa-renda

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© 2015 Julia Albuquerque